Mobilidade

Ciclocidade lança dados sobre o perfil de quem usa bicicleta em SP

Nesta segunda-feira (21/9), véspera do Dia Mundial Sem Carro, a Ciclocidade, Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo, lança os resultados da inédita pesquisa “Perfil de quem usa bicicleta na cidade de São Paulo”, realizada em parceria com a ONG Transporte Ativo, Observatório das Metrópoles, e com apoio do banco Itaú.

No total, foram aplicados 1.804 questionários entre 10 e 28 do último mês de agosto. Os entrevistados eram pessoas que estavam andando de bicicleta em todas as regiões da cidade, do centro à periferia, tanto em vias contempladas por ciclovias ou ciclofaixas quanto em ruas ainda sem infraestrutura.

Com relação à renda, quase 40% dos ciclistas da capital paulista ganham entre 0 (sem renda) e 2 salários mínimos (R$ 1.576). Sobre a faixa etária, quase 40% dos ciclistas têm entre 25 e 34 anos. Já os usuários de 35 a 44 anos compõem a segunda faixa etária mais presente, cerca de 27%. Mais de 70% dos usuários afirmam usar a bicicleta pelo menos 5 vezes por semana e que a bike é o principal meio de transporte para muitos paulistanos.

Quase 30% dos entrevistados pedalam há mais de 5 anos, enquanto 19% há menos de 6 meses. Ou seja, o alto número de novos ciclistas pode se dever à influência da expansão da malha cicloviária na cidade – nas áreas central e intermediária, praticamente 40% dos ciclistas começou a pedalar há menos de um ano. Dentre os entrevistados, 50% sugerem a implantação de mais vias exclusivas para ciclistas na cidade.

Carro, bicicleta ou transporte público: saiba calcular quando cada um vale mais a pena

Na hora de escolher qual a melhor forma de se deslocar entre casa e trabalho, é preciso analisar todos os custos de cada opção de transporte. Quem utiliza o carro, por exemplo, gasta cerca de R$ 27 todos os dias para percorrer 15 quilômetros

Seis em cada 10 famílias gaúchas têm carro próprio, e, pelas ruas, o que se percebe é uma aspiração de quem ainda não é motorizado de dar adeus às paradas de ônibus. Deixando de lado o indiscutível conforto e um eventual ganho de tempo em razão da autonomia do automóvel, financeiramente você sabe qual é a melhor opção?

Em geral, pouca gente consegue analisar custo a custo cada forma de transporte.

– Se somarmos todos os gastos que se tem para manter um carro, como impostos, seguro, manutenção, estacionamento e o combustível, o custo diário equivale a quase R$ 27. Deslocar-se de ônibus ou lotação costuma sair bem mais barato – defende o educador financeiro Adriano Severo.

Muita gente, quando compara o que gastaria com passagens, avalia apenas o gasto com combustível. Em Porto Alegre, a distância média percorrida da casa para o trabalho e vice-versa é de 15 quilômetros, o que daria cerca R$ 4,50 por dia de combustível. Duas passagens de coletivo saem por R$ 6,50 no total. É esse cálculo errado que dá a quem escolhe o carro a percepção de que está lucrando em relação a quem optou pelo ônibus.

– Quando se põe todos os custos na ponta do lápis, a gente se surpreende com o que gasta no carro. É tanto que em dois anos é possível comprar um zero quilômetro – diz Alfredo Meneghetti Neto, educador financeiro e professor de Economia da PUCRS.

Segurança também tem de ser levada em conta

Se o motorista ainda está pagando o financiamento do carro, o custo para manter o automóvel vai às alturas. Mas voltando ao início da discussão: qual o preço do conforto e da sensação de segurança de não dar mole em uma parada de ônibus à noite? Muitos usuários de transporte público reclamam que, em Porto Alegre, é limitada a quantidade de corredores de ônibus, que, seguidamente, pegam o mesmo engarrafamento dos automóveis e das lotações. Além disso, a Capital não têm um sistema de preços de passagens proporcional à distância de deslocamento. Um sujeito que anda duas quadras de ônibus paga o mesmo de quem percorre 20 quilômetros. O que poderia ser uma opção, os táxis valem a pena para deslocamentos curtos, de menos de 4 quilômetros – mas que também podem ser feitos de bicicleta, por exemplo.

Veja o infograma!

Bicicleta humaniza o trânsito nas cidades

Cheguei à conclusão que dá título a este post depois de começar a usar bicicleta (alugada) no meu cotidiano no Rio de Janeiro. Na rua o ciclista está fisicamente próximo ao motorista, desprotegido de qualquer armadura de ferro, exposto. A velocidade do fluxo urbano, quando de bike, é outra: você está próximo dos carros mas também dos pedestres. Ao mesmo tempo, os motoristas precisam aprender a socializar as ruas com este novo tipo urbano que vai crescentemente ocupando espaço no asfalto, o ciclista. Humaniza quando nos damos conta de que não se trata de uma guerra, mas de cidade.
Tudo isso pode parecer óbvio, mas foi o que senti enquanto pedalava pelas ruas estreitas do bairro de Fátima, indo em direção à rua das Laranjeiras, na zona sul carioca, na tarde de um dia de semana, em meio a ônibus acelerados, motos buzinando, carros na transversal, taxis abrindo portas, buracos, “finas” de todos os lados. Sim, andar de bike pela cidade é uma experiência tão recompensadora (é lúdica, saudável, mais barata) quanto assustadora – e quanto antes se aterrisa numa ciclofaixa, melhor.
Cheguei em casa alegre, com o corpo ligado, mas só depois, revendo mentalmente o trajeto, me dei conta de todos os riscos pelos quais passei. O ônibus que poderia não ter me visto naquele cruzamento, o carro que brecou em cima da hora, a moto que mudou de pista. Tudo pode estar por um segundo.
Seja como for tenho intensificado o meu uso de bicicleta, ainda mais agora que uma ciclovia avança pela rua das Laranjeiras, perto de onde moro. Aos poucos venho percebendo que para distâncias médias ir de bicicleta, além de ser mais divertido, é mais rápido também. O trajeto Bairro de Fátima-Laranjeiras, que de ônibus faço em 40 minutos (entre a espera do ônibus e a chegada em casa), de bike levo 25 minutos. De carro o mesmo trajeto me toma 20 minutos ou meia hora dependendo do trânsito.
Seja como for, usar a bicicleta parece ser uma escolha tão individual como coletiva. As condições gerais para seu uso vão melhorar ou piorar de acordo com as opções comuns que prevalecerem, certamente, como quase tudo, aos trancos e barrancos. Em SP e Rio, no momento, o poder público se mobiliza em um sentido de ampliar este uso; poderá não ser assim no futuro. Não se trata apenas de uma decisão do poder público, é claro, mas também de uma cultura mais ampla cidadã que pode vingar ou não.
Em cidades consideradas campeãs de bikes, como Copenhagem, a capital da Dinamarca, há mais de 1000 KM de pistas e 40% da população usam bicicleta no dia a dia – lá a velocidade e o comportamento no trânsito são regulados pelo fluxo de bikes.
Já Los Angeles nos Estados Unidos é o oposto. Depois de, no início do século XX, ter boa parte da população usando bicicleta, atualmente apenas 0,8% faz uso dela. A cidade vem seguidamente favorecendo o uso do carro particular – e não por acaso LA é uma das campeãs de congestionamento nos EUA. Para os críticos, é uma opção que interessa diretamente à indústria automobilística, que reforça continuamente o lobby pró-carro; já para os defensores dos carros, trata-se de usar um bem de consumo que gera conforto: “uma sensação de sentir-se bem consigo mesmo”, como definiu um fã de motores de Los Angeles no documentário Bikes vs Carros, do sueco Fredrik Gertten (lançado nos Estados Unidos e exibido em diferentes países, teve exibições em SP e RJ recentemente).
Em algum momento ficará mais claro em cidades como SP ou Rio qual será o futuro das bicicletas em suas ruas (ou o espaço que ocuparão). Os paulistas estarão mais para Los Angeles ou Copenhagem? E os cariocas? E os demais centros metropolitanos do Brasil? Seja como for, quanto menos “ghost bikes”, aquelas bicicletas pintadas de branco amarradas em alambrados e postes para lembrar onde ciclistas foram vítimas de acidentes, que virmos por aí nos centros urbanos, melhor. Afinal, não se trata de uma guerra, mas de cidade.

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